
TETRAPLÉGICOS: Pensão social de Invalidez: 
TETRAPLÉGICOS: Pensão social de Invalidez: 

Eduardo Jorge, tetraplégico e um dos membros da organização da Marcha pela Igualdade, que ontem juntou cerca de 200 deficientes na avenida da Liberdade, em Lisboa, apontou duras críticas às autarquias, que "ignoraram os apelos" dos deficientes para a obtenção de transporte para a iniciativa.
Apenas Miranda do Douro, Abrantes e Lisboa foram referidas pela positiva, por terem cedido viaturas. A acção governativa de José Sócrates foi também contestada pelos manifestantes, que reclamaram do futuro primeiro-ministro, Passos Coelho, que reponha os benefícios extintos. Ana Gonçalves, 28 anos, portadora de uma doença neuro-muscular, dá o seu exemplo: após ter trabalhado num gabinete de acção social, foi-lhe retirada a prestação mensal de 170 euros.
A jovem explica que só pode estar na manifestação porque os amigos acederam a deslocar--se a Lisboa. Por sua vez, Felisbelo Correia, 43 anos, paraplégico desde os sete anos, devido a atropelamento, diz receber uma pensão de 290 euros, que considera "uma miséria". Rosário Morgado, 55 anos, paraplégica em consequência da poliomielite, critica a "falta de guias" no transporte por ambulância.
Quando chega a casa à sexta-feira, André Figueira, de 18 anos, tem pela frente um fim-de-semana entre o sofá e a cama. O jovem, natural de Messejana, no concelho de Aljustrel, sofre de deficiência múltipla. A casa onde vive com os pais e o irmão mais novo é muito pequena e não está adaptada para o uso da cadeira de rodas.
Os quase 70 quilos de André impedem os pais de o levar com regularidade à rua. "Tem de ser tudo a poder da força de braços. E como pesa muito, também não conseguimos sair com ele à rua. Custa muito passar todos os fins-de-semana assim", contam os pais, Humberto, de 37 anos, e Márcia, de 34, que nos dias em que estão em casa com o filho se sentem impotentes para lhe dar mais conforto e tranquilidade.
Durante a semana, André está internado no Centro de Paralisia Cerebral de Beja, associação em que é seguido e acompanhado, mas os sábados e domingos são passados em casa com os pais e o irmão mais novo, o pequeno Dinis, de cinco anos.
"São dias sem qualquer qualidade de vida para ele", lamenta Humberto Figueira. O casal tem vindo, há já algum tempo, a solicitar junto da Câmara Municipal de Aljustrel uma habitação que ofereça melhores condições para a mobilidade do jovem André.
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“CIDADE DE COIMBRA NÃO É FÁCIL PARA ANDAR”
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Apesar de ser uma vila histórica da época medieval, Marvão não deixou de pensar nas pessoas com mobilidade reduzida na altura de remodelar e requalificar os acessos ao castelo. Ainda com as obras a decorrerem, é o próprio César Lopes, de 42 anos, tetraplégico e natural daquela localidade, que reconhece que os responsáveis tudo têm feito para que a sua mobilidade por qualquer recanto seja o menos dificultada possível.

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"As ruas calcetadas têm uma passadeira onde a cadeira anda melhor. Nas obras do castelo, o piso vai ficar direito e com acessibilidade, mas ainda há sítios onde não consigo chegar", disse ao CM. Nesses locais onde há degraus, como a câmara, o museu, os CTT
e a junta de freguesia, César diz que tem sorte de viver num "local onde toda a gente se conhece", resolvendo facilmente qualquer problema ou assunto que precise de tratar.
Também os comerciantes estão sensíveis aos problemas das pessoas sem mobilidade. Fernando Rosado, do restaurante Varanda do Alentejo, um dos locais que César frequenta, diz que a remodelação do seu espaço vai incluir rampas e um elevador para cadeiras de rodas: "Temos de estar preparados. Ninguém sabe o dia de amanhã."
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"O QUE MAIS ME CUSTOU FOI NÃO FALAR"
Já passaram mais de vinte anos desde que um acidente de viação deixou tetraplégico César Lopes, de 42 anos. Na flor da idade, este aficcionado pelos touros, pelo futebol e candidato a entrar para a GNR despistou-se ao volante de uma Renault 4L, entre Portagem e a fronteira com Espanha, no concelho de Marvão. César esteve entre a vida e a morte, mas confessa que o maior trauma veio de não se conseguir exprimir por palavras durante os primeiros dois anos em que ficou tetraplégico.
"Foi muito duro, mas graças à equipa do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, que me acompanhou, recuperei a fala", disse ao CM o homem que há seis anos se movimenta numa cadeira eléctrica que lhe permite alguma liberdade. "Esta cadeira foi a melhor coisa que me aconteceu. Vou a todo o lado aqui em Marvão, enquanto que antigamente estava mais dependente porque a cadeira era manual." César, que tem um orgulho enorme na mãe, "companheira de todas as horas", recebeu da Associação Salvador um computador adaptado às suas dificuldades e um ar condicionado que serve para climatizar a divisão da casa em Marvão onde passa mais tempo, o seu quarto, que antes era "muito quente no Verão e muito frio no Inverno".
Fonte: Correio da Manhã 25-04-2011
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