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quinta-feira, 5 de julho de 2012

FUNDAÇÃO AGAPE

Meus amigos e estimados leitores de meu espaço, venho por esta publicação informar que apaguei vários artigos aqui que faziam menção a uma pessoa, bem como os vossos comentários a pedidos que oportunamente enderecei para que devidamente.
Depois de ter sido informado por um amigo do que se estava a passar, porque a verdade estava a ser deturpada, eis que apareceu algo que fez jus aos vossos pedidos e aos lamentos de muitos necessitados, surgiu agora alguém que poderá dar uma ajuda mais cabal e pronta às solicitações, sendo assim, vejo-me obrigado a pedir que aceitem o meu pedido de desculpas por causar um apagão aos vossos comentários, mas endereço agora aqui o caminho certo para os vossos e meus lamentos.






 

  CERTIC recomenda que qualquer pedido de envio de camiões com Produtos de Apoio da AGAPE para instituições portuguesas ou procedimento em curso desta natureza, seja tratado, nesta fase, directamente com o actual director da AGAPE Foundation: Emanuel Wien.




 Clica aqui:  news/recomenda o-do-certic/

segunda-feira, 7 de maio de 2012

LEIRIA ACESSÍVEL_CAIXA GERAL DEPÓSITOS

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ANTES TINHA UM ACESSO RAMPA-DO  PARA DEFICIENTES DE CADEIRA DE RODAS, OU ATÉ MESMO CIDADÃOS DE MOBILIDADE REDUZIDA COMO SE VÊ NA IMAGEM.
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AGORA TEMOS, OU TENHO EU, 
DOIS DEGRAUS PARA SUBIR.

CONTINUAMOS ANDAR PARA TRÁS QUANDO JÁ DEVÍAMOS TER TUDO COMO A LEGISLAÇÃO ORDENA.

ACESSIBILIDADES OU ESTÁS?

terça-feira, 1 de maio de 2012

sábado, 14 de abril de 2012

LEIRIA ACESSÍVEL


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DEPOIS DE TER VERIFICADO MELHORIAS DE ACESSIBILIDADES MELHORADAS EM LEIRIA,  COMO AS TRÊS PASSAGENS NOVAS NA AVENIDA MARQUÊS POMBAL, SENTI-ME NA OBRIGAÇÃO DE ELOGIAR O ERÁRIO CAMARÁRIO PARA O ASSUNTO.

SÓ QUE NO DIA DO IMPULSO ELOGIOSO, FAÇO UMA PEQUENA DIGRESSÃO AO MERCADO SEMANAL EM LEIRIA, E EIS QUE DEPARO-ME DE NOVO COM OS VELHOS PROBLEMAS PARA OS PORTADORES DE MOBILIDADE REDUZIDA, ASSIM COMO EU MUITOS OUTROS FICAM PRIVADOS DE ACESSIBILIDADES.
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VEJAMOS,  LOGO AO FIM DO PASSEIO QUEM VEM DO LADO DO ULMAR, ESBARRA COM ESTA PASSADEIRA SEM ACESSO AOS TRAÇOS DE PASSAGEM PARA PEÃO.
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SE VIER SÓ, TERÁ QUE PEDIR AJUDA A OUTRO PARA DESCER O LOCAL E PASSAR A ANDAR NA VIA DESTINADA AOS VEÍCULOS AUTO.
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FRENTE À PISCINAS MUNICIPAIS, QUEM VEM DO PARQUE DO ESTÁDIO, É MENTIRA.
TEM QUE IR PELO TRAJECTO AUTOMÓVEL SE QUISER FREQUENTAR AS MESMAS.
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A ÚNICA PASSAGEM NIVELADA E ACESSÍVEL, PÁRA NO PASSEIO PARA OS AUTOCARROS, PARA O PARQUE DO ESTÁDIO TERÁ QUE IR PELA VIA AUTO, OU ENTÃO PEDIR A UMA PESSOA QUE PASSE PARA DESCER, O MESMO QUE ME ACONTECEU.
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QUEM VEM PELO LADO ESTÁDIO MAGALHÃES PESSOA PARA IR À NERLEI TRATAR DE ALGO, NÃO SOBE, TERÁ QUE IR PELO PARQUE A FORA ATÉ À SAÍDA DO MESMO FRENTE À PORTA SUL.
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TEM ESTA PASSAGEM NIVELADA AO PASSEIO QUE SÓ SERVE DE LOMBA, PORQUE PARA A SUBIR TEM O MESMO PROBLEMA QUE EU TIVE NESTA AVENTURA, PEDIR AJUDA.
NA IMAGEM ANTERIOR É O SEGUIMENTO DESTA PASSADEIRA.
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ESTA A A SAÍDA PARA O PARQUE DA NERLEI DA PASSADEIRA ACIMA, NÃO TEM MAIS NENHUM SEGUIMENTO E DESCIDA PARA OS DE MOBILIDADE REDUZIDA.

VEJO-ME ASSIM OBRIGADO A DIZER QUE TUDO O QUE SE TEM FEITO EM LEIRIA NÃO TEM VINDO AO ENCONTRO DOS DE MOBILIDADE REDUZIDA E AS ACESSIBILIDADES EM LEIRIA É UMA MERA MIRAGEM.
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sábado, 7 de abril de 2012

TETRAPLÉGICOS

 

Um homem sentado que tem dado mostras de utilidade para todos os que o visitam, tem os mais fortes elogios de um jornal Regional como O MIRANTE

Link: noticia


TETRAPLÉGICOS: Um exemplo de inconformismo e vontade de viver

terça-feira, 14 de junho de 2011

MARCHA PELA IGUALDADE

Organizador de marcha lamenta pouca atenção dada a deficientes

11 JUN 11 às 14:58

Numa altura de «total inércia», Eduardo Jorge garantiu que os participantes nesta marcha vão formar um grupo para conseguir aquilo que os deficientes há muito lutam.






Um dos organizadores da marcha pelo cidadão deficiente, que se realiza este sábado em Lisboa, lamentou o facto de os poderes políticos darem pouca atenção aos direitos destes cidadãos.

À TSF, Eduardo Jorge sublinhou ainda a importância de o novo Governo, que vai entrar em funções, ouvir os problemas dos deficientes numa altura de «inércia total a nível de associativismo e de quem tem poder de nos continuar a ignorar e excluir».

«Embora com poucos recursos, gostaríamos de tentar mostrar à sociedade que existimos e continuamos a ter muitas necessidades não como esmola e subsídios, mas queremos ferramentas iguais para alcançar os nossos objectivos», explicou.

Eduardo Jorge deu o seu exemplo pessoal, ao dizer que pretende uma formação profissional, mas que não a consegue pois não dispõe de transporte adaptado na aldeia onde vive.

«Não queremos ser institucionalizados. Não tenho culpa de ter o corpo que tenho e depois institucionalizam-nos», frisou este organizador, que acusa as várias organizações de deficientes de não fazerem o trabalho que devem.

Por isso, Eduardo Jorge garantiu que os participantes nesta marcha «vão constituir juridicamente um grupo em que vamos fazer acontecer o que propomos junto da tutela e poder político».

«Mas, fazer realmente acontecer nem que o tenha de ficar com a minha cadeira durante horas e dias à frente dos organismos.É radicalizar, mas é isso que tem de acontecer. Boas vontades não chegam. Esperámos muito tempo e temos de ser ouvidos», concluiu.










Eduardo Jorge fala na «inércia total» no sector

domingo, 12 de junho de 2011

MARCHA PELA IGUALDADE


Autarquias falham apoio


Eduardo Jorge, tetraplégico e um dos membros da organização da Marcha pela Igualdade, que ontem juntou cerca de 200 deficientes na avenida da Liberdade, em Lisboa, apontou duras críticas às autarquias, que "ignoraram os apelos" dos deficientes para a obtenção de transporte para a iniciativa.








Apenas Miranda do Douro, Abrantes e Lisboa foram referidas pela positiva, por terem cedido viaturas. A acção governativa de José Sócrates foi também contestada pelos manifestantes, que reclamaram do futuro primeiro-ministro, Passos Coelho, que reponha os benefícios extintos. Ana Gonçalves, 28 anos, portadora de uma doença neuro-muscular, dá o seu exemplo: após ter trabalhado num gabinete de acção social, foi-lhe retirada a prestação mensal de 170 euros.

A jovem explica que só pode estar na manifestação porque os amigos acederam a deslocar--se a Lisboa. Por sua vez, Felisbelo Correia, 43 anos, paraplégico desde os sete anos, devido a atropelamento, diz receber uma pensão de 290 euros, que considera "uma miséria". Rosário Morgado, 55 anos, paraplégica em consequência da poliomielite, critica a "falta de guias" no transporte por ambulância.


saude/autarquias-falham-apoio

sexta-feira, 10 de junho de 2011

MODA E MERGULHO

Mergulho pela inclusão

Sob o lema ‘Mergulho e Moda juntos pelo Direito à Inclusão’, cerca de vinte pessoas com deficiência motora, a grande maioria paraplégicos e tetraplégicos, vão fazer hoje o seu baptismo de mergulho na praia da Baleeira, em Sesimbra. Têm entre 20 e 40 anos de idade.




A iniciativa comemora o primeiro ano da Disable Divers International em Portugal, uma organização internacional que promove a inclusão social de pessoas com deficiência. Do programa consta também uma experiência de surf e para fechar o dia, um desfile de moda. O modelo brasileiro Fernando Fernandes, que ficou paraplégico após um acidente de viação em 2009, vai estar presente.

LICENCIADA EM PSICOLOGIA SOCIAL


“Fico barrada no metropolitano”

Com dez anos Madalena Brandão, de Lisboa, apercebeu-se de que ia deixar de andar. Quatro anos mais tarde ficou presa numa cadeira de rodas. "Foi um alívio, é mais fácil do que andar de muletas pois tenho uma maior liberdade de movimentos", explicou ao CM a jovem de 27 anos licenciada em Psicologia Social. A jovem sofre de Polineuropatia, um distúrbio neurológico que se traduz por uma disfunção simultânea de vários nervos periféricos.






Duas vezes por semana, Madalena faz voluntariado na Associação dos Deficientes das Forças Armadas e, embora não seja uma pessoa ambiciosa, os projectos são imensos: "Quero arranjar um emprego na área social e comunitária".

Sofre, porém, com a falta de sensibilidade das pessoas que ocupam os lugares reservados a deficientes e a ausência de infra-estruturas acessíveis nas instalações do Metro de Lisboa, onde os elevadores estão sempre desligados ou avariados. "Evito andar de metro porque sei que vou ficar barrada à espera de que a minha mãe vá chamar uma funcionária para ligar o elevador, o mais irónico é que depois volta a desligá-lo", diz.

NOVOS CONTACTOS

Confrontado pelo ‘CM’, a empresa Metro de Lisboa diz que não é possível ligar e desligar os elevadores com a facilidade descrita pela utente. "Seria bom e muito útil", sublinha a transportadora. A empresa está a implementar novos contratos de manutenção.

Gabinete de comunicação, Metro de Lisboa

Sente dificuldades de mobilidade no seu dia-a-dia?

Conte-nos o seu caso. Contacte--nos através do 213 185 382 ou do e-mail sociedade@cmjornal.pt


barrada-no-metropolitano

ALJUSTREL _ ANDRÉ TEM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA

Vida entre sofá e cama

Quando chega a casa à sexta-feira, André Figueira, de 18 anos, tem pela frente um fim-de-semana entre o sofá e a cama. O jovem, natural de Messejana, no concelho de Aljustrel, sofre de deficiência múltipla. A casa onde vive com os pais e o irmão mais novo é muito pequena e não está adaptada para o uso da cadeira de rodas.











Os quase 70 quilos de André impedem os pais de o levar com regularidade à rua. "Tem de ser tudo a poder da força de braços. E como pesa muito, também não conseguimos sair com ele à rua. Custa muito passar todos os fins-de-semana assim", contam os pais, Humberto, de 37 anos, e Márcia, de 34, que nos dias em que estão em casa com o filho se sentem impotentes para lhe dar mais conforto e tranquilidade.

Durante a semana, André está internado no Centro de Paralisia Cerebral de Beja, associação em que é seguido e acompanhado, mas os sábados e domingos são passados em casa com os pais e o irmão mais novo, o pequeno Dinis, de cinco anos.

"São dias sem qualquer qualidade de vida para ele", lamenta Humberto Figueira. O casal tem vindo, há já algum tempo, a solicitar junto da Câmara Municipal de Aljustrel uma habitação que ofereça melhores condições para a mobilidade do jovem André.




vida-entre-sofa-e-cama

quarta-feira, 8 de junho de 2011

BARREIRAS ARQUITECTÓNICAS SEM SOLUÇÃO


Escadas complicam

João Matias, de 23 anos, deficiente motor congénito, por causa de espinha bífida, tem feito palestras em colaboração com a Associação Salvador sobre a acessibilidade e integração de pessoas com deficiência. "As pessoas ficam um bocado incrédulas como é que há tantas barreiras arquitectónicas sem solução", afirma.






No dia-a-dia, na Benedita, Alcobaça, onde reside, é confrontado com muitos obstáculos. Dá o exemplo de passeios sem rampas com a devida inclinação, acessos difíceis aos contentores do lixo e escadarias na sede da junta de freguesia.

A terminar a licenciatura em Educação e Comunicação Multimédia na Escola Superior de Educação de Santarém, João Matias está a estagiar como designer gráfico numa empresa na Benedita. "Sinto-me muito útil à Associação Salvador, que me abriu portas. Estou em negociações com um realizador para um documentário sobre a minha vida, ou mesmo uma telenovela, com uma personagem à minha medida", revela. Em conjunto com as colegas Filipa Agostinho e Alexandra Vicente, no âmbito da cadeira de Publicidade e Marketing, está a desenvolver um aparelho para surdos poderem ouvir música através da vibração. O Vibe 4 Life está neste momento à espera que alguém financie o protótipo e o comercialize.




escadas-complicam

domingo, 29 de maio de 2011

REABILITAÇÃO EM CUBA



Afonso, a criança de oito anos que sofre de uma doença rara (nasceu com os cromossomas 13 e 14 juntos) e que não fala nem anda, parte hoje para Cuba, país onde vai reiniciar as sessões de fisioterapia intensiva.



Carlos Fernandes, pai de Afonso, afirmou ao CM que os tratamentos em Cuba têm "feito bastante bem" ao menino, pois as sessões "duram várias horas". Em Portugal, a fisioterapia "só dura meia hora, o que é pouco".

Os custos da viagem e da estadia ascendem a cerca de 10 mil euros por mês, uma verba "suportada com a solidariedade de cidadãos e de autarcas do Cacém", onde a família reside.

Carlos Fernandes acrescentou que no dia 19 de Junho realiza-se um espectáculo no Centro Paroquial de Rio de Mouro para angariar verbas para ajudar a suportar os custos da deslocação a Cuba. "O Estado não ajuda nas despesas", lamentou o pai.



afonso-faz-fisioterapia-em-cuba

sábado, 28 de maio de 2011

COOPERATIVA DAR A SORRIR

Mãe de Rodrigo faz sorrir Diogo

Conseguiu que o filho Rodrigo, que nasceu sem a mão direita, tivesse uma mão mioeléctrica e agora está dedicada a ajudar outros meninos. Ontem foi a vez de Diogo, de dois anos, natural de Caminha, testar pela primeira vez a prótese. A Cooperativa Dar a Sorrir, criada por Sandra Hipólito, já ajudou sete pessoas e prepara-se para fazer sorrir outras 20.





O caso de Diogo é semelhante ao de Rodrigo, o menino de Fão, Esposende, que nasceu sem a mão direita e que recebeu uma mão mioeléctrica aos dois anos, depois de os pais terem lançado uma campanha de recolha de tampinhas. "Também foi uma possível amputação quando eu estava grávida. As causas não sabemos", contou a mãe de Diogo, Elisabete Farinhoto.

Depois de ver a reportagem sobre a história de Rodrigo, Elisabete entrou em contacto com a mãe daquele. Diogo nunca tinha usado qualquer prótese nem permitia que lhe mexessem no braço direito. "Os médicos só pediam a prótese estética, passiva, se ele tivesse desequilíbrio na coluna", explicou Elisabete Farinhoto.

A Cooperativa Dar a Sorrir responsabilizou-se pelo caso e financiou a prótese, feita também na clínica Padrão Ortopédico, em Matosinhos. "Estou muito feliz e ele aceitou a mão", concluiu, satisfeita.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

CADEIRA DE RODAS É UMA PRISÃO


Em 2008 foram aprovados 58 projectos no valor de 9,3 milhões de euros, para tornar as cidades mais acessíveis. Pouco foi feito fernando veludo Barreiras A cadeira de rodas é um outro apartheid As cidades podem ser um inferno para quem sofre de mobilidade reduzida. Apesar dos apoios. Apesar dos apelos e das campanhas. A partir de amanhã, há mais milhões para tirar obstáculos do caminho. Até agora, o que fizemos? Pouco, muito pouco Por Marisa Soares "As cidades não estão preparadas para nós."

Jorge Falcato, 56 anos, paraplégico desde os 24, lamenta-se enquanto aponta para locais onde a sua cadeira de rodas, muitas vezes, não entra. Edifícios públicos, restaurantes, discotecas, monumentos, transportes públicos, espaços verdes. "Limito a minha vida aos locais onde tenho a certeza que posso ir." "Não conheço bem a minha cidade." Que cidade é esta, livre para alguns, acessível para a maioria, uma prisão para outros que se tornam uma minoria invisível?

Há um exercício que se pode fazer e que resulta elucidativo: assinalar a negro num mapa todas as barreiras que encontramos numa cidade, por exemplo Lisboa. Jorge Falcato, que se move numa cadeira de rodas há 32 anos, já se deu a este trabalho, recorrendo a autocolantes. O arquitecto garante que se tivesse marcado cada obstáculo com um ponto negro, o mapa da capital transformar-se-ianuma "enorme mancha negra". Pessoas com mobilidade reduzida vivem ainda "um regime de apartheid não decretado e invisível aos olhos do cidadão comum". Pedro Oliveira, a quem a paralisia cerebral não impediu de ser investigador na área da ciência e tecnologias de inovação, tem outra crítica: "A acessibilidade ainda não é uma questão estratégica para o país." Quem sofre na pele as agruras de muitas pessoas com mobilidade reduzida considera que "devia haver incentivos, tal como há para a inovação tecnológica". Porque Portugal tem "um dos melhores sistemas internacionais de legislação sobre a deficiência".

Mas a lei não basta.

O diploma sobre a promoção da acessibilidade, de 2006, é generoso, como acontece muitas vezes, mas os resultados até agora são, no mínimo, insuficientes. A legislação previu que em 2017 as cidades portuguesas estariam livres de barreiras físicas e que os espaços públicos seriam acessíveis a todos, sem excepção. É o princípio da não-discriminação. "A acessibilidade é uma questão de direito", sublinha Falcato. O problema é que uma promessa tão antiga poderá não ser cumprida tão cedo.

"Os privados ainda não perceberam que a acessibilidade é um bom investimento", até porque as pessoas com mobilidade reduzida nunca andam sozinhas. No turismo, o país ainda não fez o trabalho de casa. Segundo um relatório de avaliação de Fevereiro de 2010, dos 13 locais que Portugal tem classificados como património mundial, apenas dois têm acesso parcial para cidadãos em cadeira de rodas. Já os oito casinos do país são completamente acessíveis.

Em Lisboa, a parte antiga e mais turística da cidade - como o Bairro Alto e Alfama - é inacessível. "É uma pena não conseguirmos ir ao Castelo de S. Jorge com os nossos clientes", nem ouvir fado, lamenta Ana Garcia, directora da agência de viagens Accessible Portugal, a primeira agência vocacionada para viagens e turismo acessível para pessoas com mobilidade reduzida. "As ruas são estreitas, não há estacionamento, há pinos a fechar as ruas...", nota. Com o envelhecimento cada vez mais acentuado da população - o que aumenta o grau de dependência - e a expansão do turismo senior, vamos querer ficar para trás?

A primeira legislação nesta matéria é de 1982, mas foi revogada depois de o então primeiro-ministro, Cavaco Silva, ter adiado a sua entrada em vigor. "Mais de 50 por cento das habitações foram construídas depois disso. Podíamos ser hoje um dos países mais acessíveis do mundo", sublinha Falcato, arquitecto de profissão. Mas perdemos a oportunidade. Porquê? "Os políticos não quiseram abrir os cordões à bolsa."

Pouco foi feito

"A maior parte das autarquias não tem meios para as obras, nem as define como prioritárias", assinala por seu lado o arquitecto Pedro Gouveia, especialista nesta matéria. Ao contrário do que acontece, por exemplo, na Catalunha, em Espanha, onde dois por cento do orçamento municipal se destina a eliminar barreiras físicas, tal não está previsto na lei portuguesa das finanças locais. "Não há um verdadeiro compromisso", vinca Gouveia.

Se nos anos de 1980 era caro tornar um edifício acessível, hoje será muito mais. Por isso, "reservar um por cento dos orçamentos locais para esses fins seria um bom começo", propõe Paula Teles, arquitecta e especialista em acessibilidade. Enquanto tal não acontece, a solução pode estar nos fundos comunitários. A partir de amanhã, câmaras e associações de municípios podem candidatar-se, até 14 de Setembro, ao programa RAMPA (Regime de Apoio aos Municípios para a Acessibilidade). Cada projecto pode ser financiado até 300 mil euros, um apoio que vai desde a planificação até à execução da obra, explica Rui Fiolhais, gestor do Programa Operacional do Potencial Humano, que financia este apoio aos projectos que tornem as cidades mais acessíveis a todos.

Em 2008, foram aprovados 58 projectos, que valiam 9,3 milhões de euros. Destes, 47 foram apresentados por câmaras municipais. Foram atribuídos 8,3 milhões para a criação de planos locais de acessibilidade, que têm de estar concluídos até ao final deste ano, porque depois disso o dinheiro deixa de estar disponível. Até agora, só foi executado 21 por cento do montante atribuído.

Mas será que os planos locais vão garantir cidades acessíveis em 2017, como previa a lei? "Não serão suficientes, se não existir vontade política", frisa João Cotim, o primeiro provedor municipal e metropolitano dos cidadãos com deficiência, cargo criado em 2002 pela Câmara do Porto. Esta cidade ainda não tem um plano local de acessibilidade, tal como Lisboa, onde só em Junho foi constituída a equipa que vai elaborar o documento. "Os planos poderão contribuir para que em 2017 o saldo seja mais positivo em termos de acessibilidade", reconhece Lia Ferreira, arquitecta e adjunta do provedor, paraplégica desde os quatro anos. Porém, "corremos o risco de, em vários casos, se limitarem ao que são: planos".

Bons exemplos

Palmela, Portimão e Vila Real de Santo António são as cidades apontadas por Rui Fiolhais como bons exemplos, na apresentação do RAMPA, anteontem. Palmela tem já um plano de acessibilidade em estado avançado; Portimão inaugurou em Junho a Rota Acessível, um percurso de sete quilómetros pelos principais locais da cidade; e Vila Real de Santo António tem a brigada "passo a passo" para eliminar barreiras.

As três integram a Rede Nacional de Cidades e Vilas com Mobilidade para Todos, que conta com 74 municípios. A rede foi lançada pela Associação Portuguesa de Planeadores do Território em 2003, Ano Europeu de Pessoas Portadoras de Deficiência, e desafiou os municípios a tornarem uma área central do seu espaço público mais acessível, de forma faseada. Dez municípios estão ainda a acabar o projecto.

Mas ainda há muito por fazer, por exemplo, nas universidades. "Quando tirei o curso [na década de 1980], a acessibilidade estava longe dos planos curriculares", conta Jorge Falcato. O Plano de Acção para a Integração das Pessoas com Deficiência e Incapacidades previa a criação até 2009 de um guia de recomendações para incluir as questões do design universal nos currículos das universidades e escolas técnicas. Esse plano tinha 99 medidas. Dezanove continuam por aplicar. Uma delas foi o financiamento de obras em prédios com espaços comuns para eliminar barreiras. O apoio podia ir até aos 3000 euros por habitação, mas a medida não saiu do papel.

Não se sabe quantos edifícios são acessíveis em Lisboa. O Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) é responsável por essa avaliação e tem de publicar anualmente um relatório. Questionado sobre este assunto, o IHRU não respondeu. Jorge Falcato, arquitecto, 56 anos, há 32 numa cadeira de rodas.

Fonte: A cadeira de rodas é um outro apartheid | LERPARAVER

terça-feira, 17 de maio de 2011

CASA É PRISÃO PARA JOVEM

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Casa é a ‘prisão’ do jovem Ryan

No espaço de um ano, Ryan Pequito sai de casa quatro vezes. E, quando o faz, tem de "rebolar" pelos oito degraus que o separam do mundo exterior.



Partiu a coluna na sequência de uma queda em Alcântara, aos 32 anos. Tinha chegado da África do Sul há apenas dois meses. A casa onde vive com a família, em Vale de Milhaços (Seixal), é emprestada e cheia de obstáculos: o quarto de Ryan é na cozinha, porque nas restantes divisões falta espaço para a cadeira de rodas. A casa de banho também não está adaptada. "Habituarmo-nos às limitações motoras leva algum tempo, mas no fim acabamos sempre por reaprender a viver, somos forçados a isso", desabafa o licenciado em Design Industrial, hoje com 34 anos. A família de Ryan vive com dificuldades económicas, pois estão todos desempregados e não recebem ajuda do Estado. Dependem do apoio de familiares e de instituições sociais, nomeadamente da Cooperativa Nacional de Apoio a Deficientes.

FALTA AUTORIZAÇÃO
Estamos a aguardar a autorização do proprietário da casa para avançar com o processo de adaptação da habitação, mais concretamente da garagem. Em análise, está também o pedido de uma habitação camarária em conjunto com a autarquia do Seixal.

Coop. Nac. de Apoio a Deficientes

saude/casa-e-a-prisao-do-jovem-ryan
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